Mudança na escola e na comunidade

A história de vida do adolescente Márcio Gabriel Santos Rodrigues, de 17 anos, registra uma mudança positiva de comportamento na escola e na comunidade onde vive, se compararmos o antes e o depois dele conhecer e começar a participar das atividades do projeto Mucuripe da Paz – desenvolvido pelo Instituto Terre des Hommes Brasil no Grande Mucuripe, em Fortaleza, com cofinanciamento da Kindernothilfe.

Quem conhecia o garoto, sabia que era comum ele criar e se envolver em situações conflituosas na escola com os colegas e professores. Mas nada estava perdido. Foi aí que entrou em ação a equipe técnica do projeto para escutá-lo e identificar nos seus sentimentos o que estava contribuindo para que ele apresentasse tal comportamento.

Antes de se integrar aos outros adolescentes e jovens do projeto Mucuripe da Paz, ele tirava o tempo ansioso que tinha para brincar com outros adolescentes da comunidade onde reside no bairro Vicente Pinzón, como brincar de bila, soltar pipa, brincar de pega-pega e esconde-esconde, além de passar a tarde jogando bola em campos de areia da comunidade. Segundo Márcio Gabriel, conhecido pelos amigos pelo apelido de “Pig”, o que lhe motivava a se envolver em conflitos, especialmente na escola, eram as influências negativas que recebia dos amigos, além das dificuldades que enfrentava no ambiente familiar que impactava no trato dele com as outras pessoas. Inicialmente, ele passou por práticas restaurativas para que o problema pudesse ser compreendido e tratado.

Depois destas práticas, o adolescente começou a se engajar no projeto e a participar de encontros, reuniões, debates comunitários, rodas de conversa, fóruns e workshops. Tudo isso o fez repensar e mudar o seu comportamento.

Depois que eu conheci o projeto Mucuripe da Paz e a participar das atividades, passei a respeitar as pessoas, ter mais disciplina, mais foco e objetividade de vida e a ver uma luz no fim do túnel, para tentar alcançar e conseguir mudar minhas atitudes para melhor. Eu acordei mais para a vida e passei a entender que realmente não era daquela forma que eu deveria agir e ser. Eu acordei para a vida do mundo real. Resolvi focar mais em mim do que nos meus amigos e a fazer a minha própria história.

Márcio Gabriel, que participa do projeto há um ano.

O tempo foi passando e já como beneficiário do projeto Mucuripe da Paz o adolescente ganhou oportunidades de mostrar o seu talento. Ele conta com gratidão que se sentiu privilegiado por ter apresentado para várias pessoas as suas rimas em eventos fora do projeto. “Eu acordei para a vida e percebi que a rima é o que eu quero fazer na minha vida, que é arte e cultura. Quero através da voz que eu tenho da periferia tirar da gaveta alguns projetos envolvendo a rima e vim e aplicar na periferia”, socializou o adolescente.

Márcio Gabriel rima desde os 12 anos, principalmente, em batalhas de rima, que são freestyles feitos na hora por dois MCs, onde um sai vencedor da batalha. Normalmente, ele faz suas rimas de improviso independentes do tema, como a que elaborou durante a entrevista:

Agora eu chego aqui para rimar! Agora eu tô [sic] numa entrevista com a TDH, mas só que eu quero é mais e eu vou mostrar o projeto Mucuripe da Paz. Enquanto eu sou adolescente e faço a poesia, enquanto eu quero melhoria para a minha periferia, agora eu já mostro meu talento e deixo o papel na gaveta e faço o planejamento.

Márcio Gabriel

O adolescente revela que depois de ter se envolvido nas ações do projeto com outros adolescentes, melhorou seu comportamento até membros da família e passou a sentir uma paz interior que lhe levou a respeitar as pessoas independente de suas diferenças e convicções, a querer ajudar ao próximo e a querer se voluntariar em algum projeto em benefício da comunidade.

Eu me vejo hoje como outra pessoa. A galera da comunidade me olhava de determinada forma e muitos não gostavam de mim pelo fato de eu ter algumas atitudes que não eram legais. Hoje, a galera já me vê de outra forma. O pessoal vê o Gabriel que ajuda, o Gabriel que passa pelas pessoas no meio da rua e fala ‘boa tarde’ e pergunta como é que estão e o Gabriel que ajuda fazendo pinturas qualquer que seja na comunidade, não fazendo pelo dinheiro, mas sim pelo amor e pela vontade de ajudar.

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